Na Rua Augusto Hilário, em Viseu, o prazer de comer muito bem acabou. O Cortiço era conhecido de todos os que, passando por Viseu, em trabalho ou lazer, faziam daquela casa a verdadeira casa de comida no centro histórico da cidade.Dizem os donos que a filosofia vai ter de mudar, mas ao fazerem isso, certamente mudarão o figurino que fazia do Cortiço um ponto obrigatório de passagem pela cidade de Viriato.
Sempre que lá fui, era preciso marcar a mesa, fosse para 2, 6, 10 ou 30 pessoas, como foi várias vezes o caso. E sempre havia algo que atrasava a hora. E esse sempre eram as pessoas que, ao mesmo tempo do que eu, queriam desgustar o que de bom aquela cozinha tinha.
Começávamos sempre com as morcelas e chouriços fritos, que trazidos nas pequenas frigideiras tinham sido acabadas de fazer. "Cuidado que está quente!", dizia o empregado receoso de algum acidente. Eram escusadas as palavras de atenção do mesmo. 2 minutos depois, as morcelas, misturadas ora com broa de milho, ora com pão caseiro eram o início de uma refeição quase sempre memorável.
Depois de convenientemente comidas, vinha o principal. E poderia ser o que quiséssemos. Quando me falaram na primeira vez no Arroz de Carqueja do Cortiço, fui investigar e ver o que era. Pequenos pedaços de carne de vitela, misturados com carnes, embutidos no arroz e com chá de carqueija, onde a sua folha fazia parte da decoração do tacho, convenientemente quente e com os avisos do costume.
A primeira vez que o comi, repeti pelo menos mais duas vezes, de tão bom que era.
Também havia as feijocas à maneira do sr.Abade, que também com o seu arroz eram divinais. E mais...
O cabrito assado no forno, o bacalhau à lagareiro, o polvo frito ou o arroz de pato eram as escolhas naturais para se compreender o que aquela cozinha tinha de especial.
Para a decoração da casa, os inúmeros guardanapos com os agradecimentos e as promessas de voltar a entrar naquela casa rústica, pequena, que ocupava duas portas na Rua Augusto Hilário e que era conhecida por ver os empregados a passarem de uma porta para a outra com os sabores que enchiam a alma, a barriga e o coração.
É com pena, muita pena que vejo o Cortiço fechar e mudar de "filosofia". Pode ser que os tempos mudem, efectivamente e tragam de volta aquela gente simpática, dotada de profissionalismo e de sorriso no rosto que faziam do restaurante uma referência nacional.
Bom, ficamos, em Viseu, com o magnifico Casa Arouquesa... que será objecto de comentário autónomo.
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