terça-feira, 2 de abril de 2013

Dona Isilda

Quando, no passado sábado, acordei com vontade de ir a Palmela, já sabia ao que ia. Comer bem e barato, naquele que é um dos melhores restaurantes de comida tradicional portuguesa que conheço.

É muito fácil de dar com o Dona Isilda. 
Se vier na A2, saia em Palmela e siga na direcção da vila. Depois de passar por Palmela, siga em direcção a Azeitão e há-de encontrar do lado direito da estrada uma casa cor-de-rosa e logo a seguir uma tabuleta com o nome "Restaurante Dona Isilda". É depois seguir as instruções, mas não é muito difícil. É sempre para a direita. Se vier pela N10, após passar Vila Nogueira de Azeitão, na segunda rotunda, vira para Palmela, passa por Cabanas, Quinta do Anjo e depois encontra o restaurante do lado esquerdo. Se não der pelo restaurante, não faz mal. Pode ficar na Quinta do Anjo e experimentar o Alcanena, que é da mesma família e mais rústico ainda, já que aproveita uma velha adega para fazer, também aí, as delicias que compõem o nosso estômago.

Pessoalmente, prefiro o Dona Isilda, porque tem mais oferta de comida e diversidade, para além do espaço (bem maior do que o Alcanena), quer para estacionar, quer para comer. Bate em muitos pontos, vários restaurantes do género (português, buffet, comida tradicional), como por exemplo, o Tromba Rija de Lisboa.

Comecemos pelas entradas:


Existem três mesas dedicadas a entradas (uma para queijos e pão, outra para carnes e outra com fritos), para além de uma área nos tabuleiros dedicada às saladas. Não toquei no queijo, mas é possível escolher uma variedade infindável de vários tipos: curado branco, curado de ovelha, da serra, da ilha, alentejano, flamengo, enfim. São tantos, que é difícil estar a enumerar todos. Para além do queijo, pão tradicional, com nozes e tostas. 
Optei pelas carnes e escolhi três tipos diferentes de morcela, uma rodela de chouriço, uma de farinheira e uma de paio. As morcelas estavam cada uma com o seu tempero específico, o que diferencia na qualidade. A farinheira, apesar de estar um pouco seca, era de fácil degustação. Quanto ao chouriço e ao paio, normais para a alta qualidade da casa.


Depois, fui aos tabuleiros da zona reservada às saladas e a escolha colidiu com salada de orelha fumada e salada de orelha normal, assim como a salda de grão. Na mesma zona de tabuleiros, havia muita salada, fosse ela com cenoura ralada, salada russa ou salada de alface normal. Eu optei pelo que apelava ao aumento do colestrol e não me queixei. As orelhas (para quem gosta, obviamente) estavam muito boas e o grão também.



A última parte das entradas estava destinada à mesa dos fritos e foi daí que trouxe choco frito, bolinhas de enchidos, raia, um croquete e um ovo de codorniz estrelado misturado com paio e embutido numa fatia de baguete. O choco estava divinal. Nada seco, bem mole, o que facilitava a degustação. A raia também estava muito boa e o ovo de codorniz misturado com o paio conjuga diferentes sabores na boca que são altamente recomendáveis. Deixo as bolinhas de enchidos para o fim, uma vez que foi o que me surpreendeu pela positiva. O sabor da carne misturada, onde a influência dos enchidos tem capital importância foi uma agradável surpresa. Claramente a repetir numa próxima visita.

Passemos ao peixe:


O que está no prato é facilmente explicável pelo facto de, nesta altura, começar a ficar um bocado para o cheio e como tinha uma crónica para fazer, tinha ainda de comer a carne. A escolha foi fácil e óbvia. Fácil, porque a variedade de pratos de peixe é reduzida no restaurante e óbvia, porque na semana passada tinha comido sopa de cação, pelo que este seria um prato a evitar. Assim sendo, optei pelo bacalhau com natas, bacalhau à Zé do Pipo e Açorda de Marisco. 
Comecemos por esta última. O camarão em cima do pão é só para enfeitar, porque não é preciso ter o molusco para se saborear uma açorda de marisco que sabe mesmo, mas mesmo a marisco. Não é uma açorda muito "papada", ou seja, é bastante leve, o que a torna uma boa escolha. O bacalhau com natas estava também muito bom. Não abusam muito da cebola (um clássico em vários restaurantes), mas abusam um pouco da pimenta (no entanto, suficiente para não se rejeitar logo à primeira) e o bacalhau vem acompanhado com batatas, mas na sua perfeita comparação com o bacalhau (algo que também não costuma existir em muitos restaurantes). Já o "Zé do Pipo", estava também muito bom, uma vez que não estava seco, nem com muito óleo, o que o torna bem apetecível.

Quanto às carnes:





Também optei por três pratos: arroz de aves, entrecosto no forno e dobrada. Podia escolher muito mais pratos de carne, como os que havia, entre eles, arroz de pato, favas estufadas, pezinhos de coentrada ou mão de vaca com grão, entre outros. A oferta de pratos de carne é realmente maior do que os de peixe, mas mesmo assim, a qualidade é inegável.

Nas sobremesas:




Bolo de Amêndoa, Sericaia e Bolo Rançoso. Açúcar e mais açúcar. Mas escapei-me ao bolo e à mousse de chocolate, à torta de laranja, aos inúmeros pudins e a outros doces, que compunham a mesa. Todos eles, com aspecto divinal e com sabor ainda melhor.

O vinho que me acompanhou foi o da casa, que é também da zona (tinto de Venâncio Costa Lima), que não sendo muito forte, é bastante bom para acompanhar os diferentes pratos. No entanto, a garrafeira disponível no restaurante tem uma variada oferta em termos de qualidade e de preço.

Posto isto, por 20 Euros / pessoa, com tudo incluído (entradas, pratos, sobremesas, vinho e café) o Dona Isilda é uma óptima escolha para quem quer comer muito e bem ou comer bem e muito. A simpatia dos empregados também é uma constante e só quem não foi a Palmela a este sítio é que se pode arrepender.


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