Depois de uma valente jornada de trabalho em Ponta Delgada, o que se faz? Ataca-se o bifinho!
Antes, no entanto, recomendo, até porque a memória não pode apagar os melhores de cada tempo, uma pequena passagem pelo último refúgio de Antero de Quental.
A Esperança não é a última...
Bom, fixemo-nos no bife.
Em anteriores passagens pela magnífica Ilha de São Miguel, comi o sacramental pedaço de carne num templo gastronómico situado na Ribeira Grande, a Associação Agrícola de São Miguel. Quem lá foi sabe bem o que digo: é uma coisa de outro mundo...
Desta vez aceitei o desafio do bom micaelense Afonso Quental, descendente em 5.º grau de Antero, e fui demandar ao Aliança, ali bem no centro de Ponta Delgada.
Se há coisa em que podemos acreditar, com ligeireza, até, é que a tipica entrada micaelense sabe sempre bem: um queijo fresco de uma espessura indescritível, acompanhado de massa de pimentão. É assim no Aliança, mas é assim em todo o lado. Não inventem que fica mal...
Depois seguiu-se o bife, o inesquecível bife.
Comecemos por explicar que o bife não é um bife normal. É, isso sim, um belo bocado de suculenta carne, que se corta sem faca, frito com pimenta (que por cá se chama pimento), com muito alho e pouca gordura.
Acompanhado de batata legítima - nem pode ser de outra forma, creio -, o bife suplantou todas as expectativas, colocando-se ao lado do que a minha memória considera ser o melhor de sempre: o da Associação Agrícola.
Não estamos perante um daqueles mitos assentes em castelos de cartas: trata-se de um prato sólido, que pode rivalizar com qualquer outro bife do mundo.
O cozinheiro vem do Alcides, que, dizem, perde para o Aliança em preço e qualidade - da próxima vez prometo uma visita que assegure a veracidade da informação.
O vinho, já que o arquipélago se chama Açores, foi o Atlantis, que se bebe bem, revela qualidade e, sobretudo, tem melhorado muito ao longo dos anos.
Em suma, Ponta Delgada tem muito boa carne e óptimo peixe, como explicarei em breve, revelando, sobretudo, que aquela nostalgia que se adivinha em cada rosto não se deve à gastronomia regional.




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